sábado, junho 14, 2008

Fernando Pessoa


Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes,
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.


Poema: Fernando Pessoa / Ricardo Reis (1888-1935)
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Fernando Pessoa tinha três botões de tamanhos diferentes, cores diferentes e texturas diferentes. Concentrou-se em dar especial significado aqueles três botões e a ele mesmo, que seria a agulha master. Sim, porque haver botões sem agulhas e linhas ou fios ou borracha ou ... não tem nada que se lhe diga. Aliás, penso mesmo que, os botões só têm mais crediblidade porque os pormenores que os escondem são tão - ou mais- intressantes que os próprios botões. E para não mencionar que são a parte crucial dos botões. Um botão de flor não existe sem haver uma raiz por de trás e um caul e folhas, etc. Um botão de casaco precisa de um determinado tipo de linha que o fixe naquele mesmo sítio. Os heterónimos não existiam se Fernando Pessoa não existisse também. Ora, a beleza das coisas reside mesmo aqui, neste espaço minúsculo que as pessoas tentam evitar: o por trás das coisas.
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“Revolucionário ou Reformador – o erro é o mesmo. Impotente para dominar e reformar a sua própria atitude para com a vida, que é tudo, ou o seu próprio ser, que é quase tudo, o homem foge para querer modificar os outros e o mundo externo. Todo o revolucionário, todo o reformador, é um evadido. Combater é não ser capaz de combater-se. Reformar é não ter emenda possível.”

2 comentários:

Xara disse...

Então cá vou estrear-me a pôr o meu
pèzinho...
Este poema também faz parte da minha lista bem como um da Sophia de Mello Breyner que se a memória não me falha começa por
"porque os outros se vendem,mas tu não"......acho que têm a ver um bocadinho um com o outro!
Beijo

Fresquinha disse...

Embora haja quem não se venda e não seja inteiro. E ainda ande à procura das peças para fazer o puzzle.
Também gosto muito da Sophia de Mello Breyner. Uma grande favorita. E, sim, tem tudo a haver.
Obrigada pelos seus sempre simpáticos comentários. As pessoas normalmente gostam mais de ser entretidas. Já não há comunicação e já aprendi a viver com isso. E sempre que cai um comentário, particularmente, os seus, é uma dádiva. Obrigada, minha amiga Xara.