segunda-feira, março 10, 2008
perdão
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10.3.08
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quarta-feira, fevereiro 27, 2008
desejo-vos um dia, de-lírios e anjos !

Pois o dia nasce aqui ao som das maritacas e ao sol das horas absurdas.Velei seu sono. Espero que não tenha se importado, fiquei onde você me havia me indicado: sentado na janela, observando seus lábios que diziam algo suavemente, e eu via letras saírem de sua boca, dançarem no quarto, unirem-se às outras letras, que por sua vez se uniam ao seu redor e a cobriam delicadamente, com tal zelo e cuidado que se assustaram ao me ver ali sentado.
Eu poderia ter voado pela janela de volta à minha sala, mas aquela lua ariana me paralisava. Que encanto é este que me toma pelas mãos e dirige meus dedos nesse teclado? Sou nascido no Halloween, eu deveria saber... mas meu saber é teórico, não abre fendas nem brechas em almas silenciosas. Talvez alguma música me ajude a perceber esta criatura envolta em seus cobertores, sonhando que voa sobre o mar após saltar de uma escarpa. Mas a música também me absorve, desobedece a meu comando e se eleva, depois acalma e encerra, como uma peça em três actos.
Você viveu na lua! Lembrei agora... em outra era, em outro continente, vi você ser levada por uma canção, por um canto, por um conto de uma lua vaga. Fixou-se aquela imagem novamente, mas era outra forma de vôo.
As asas estão guardadas em suas mãos, e todo movimento subtil que desperta você de seu sono, do devaneio ou das câmeras de tortura da razão acabam por se revelar como se descesse um arcanjo e lhe dissesse qual será a próxima mulher, a mulher do próximo.
.
Magnífico o pano que cobre a sua alma. Debaixo, a luz de uma aurora boreal. Suave, etérea, ofuscante, pairando sobre os meus dedos, trespasssando-me o peito, iluminando-me as irís, gravando sombras de pássaros na retina. Bebo você, rodopiando no espaço que nos separa, e procuro-o incessantemente na minha solidão. Ah ! um calor que afaga os ombros, me sussura serenidade e dança valsas nas minhas veias. Sinto o sangue a pulsar, morno e latejante, acordando-me nos meus lençóis amarrotados, suados de tanto querer.
Sonhei. Sonhei que não sonhava. Que a vida acontecia daqui para a janela, da janela para aqui. E um mundo de borboletas rompia esse vazio que nos cai dos braços. Daqui a um palmo de chão, o doce olhar que deita nos meus segredos, a canela, o rosmaninho, e lírios brancos. As horas passaram ....
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27.2.08
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terça-feira, julho 17, 2007
era a noite
Colava umbigos aos nossos gemidos
Deitava as cores nos teus sabores
Comungava o mesmo abrigo,
Domingo e paixão,
e o calor numa mão,
cruzavam o acto no facto.
.
Era a noite que falava segredos.
Amor sem razão.
Afectos no recto.
Umbigos, momento.
Factos no acto.
Abrigos gemidos.
Vivia paixão.
E morria no beijo,
no calor de uma mão.
.
Era a noite.
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17.7.07
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alice
Cuida de ti, Alice !.
Se por entre as rugas do lençol, que roça na pele o sal desse amante, encontrares a verdade do afago e o respirar incessante do pêlo e da ponta da língua,
.
Se por entre as pernas do desejo, que toca a alma no doce desse amante, encontrares o hino de uma paixão ardida, a dor do partir e não ficar, de o querer assim sem o ter,
.
Cuida de ti, Alice !
.
São mentiras que se atiram aos girassóis das janelas,
São mentiras que separam as estradas das vielas,
São mentiras que se erguem de portas sentinelas.
.
Cuida de ti, Alice ....
.
Leonor de Saint Maurice
16.07.07
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segunda-feira, julho 16, 2007
parto
ateio fogos nos seios já cansados,
procuro mãos na cintura dos meus arcos
Parto cordas que te prendem aos meus cavalos,
sigo os caminhos de pele em verdes veias,
cruzo figas no ventre e faço teias
Parto ventos e os mares de sul em madrugadas,
lambo feridas novas e caladas,
carrego no peito as minhas e nossas mágoas
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16.7.07
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segunda-feira, março 19, 2007
pai (repost)
na sombra da navalha,
Leonor de Saint Maurice
Jan/2007
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sexta-feira, fevereiro 23, 2007
o prazer do encontro

Debaixo da chuva que molha o alcatrão de uma cidade vazia, acordava a ânsia do encontro. Um olhar furtivo, na janela da rua mais feliz da cidade, esperava um sinal. O cheiro da castanha assada afogava as narinas, o bater compassado das asas dos pombos ensurdecia. Eram quase dez para as nove mas o tempo não passava. O relógio parado no pulso dos meus afectos, a manhã que se abria lenta e azul, e a memória dos outros dias ..., as mãos que procuravam calar os meus silêncios, e a terra abandonada nos sapatos. Esperava-te. Era tarde. Era tarde na vida. Eram os restos que sossobravam de vidas já moldadas por martelos e bigornas acesas, cravados no peito da alma de quem apenas viveu, entregue a destinos impostos, outros feitos, outros desfeitos. E restava a esperança de quem se bate nas frentes de muitas guerras, e a vontade de tudo refazer como se esse fosse o primeiro dia das páginas limpas. Às vezes, sentimos falta de nós. Procuramos em vão nas vielas do encontro e partimos com a mesma falta que nos trouxe ali. Sentamo-nos em frente a uma alma tão só, como se de nós se tratásse. E reconhecemos, ou não, aquela imagem de nada, que apenas nos traz a pausa dessa busca incessante do que perdemos de nós. Sorrimos com a timidez de quem não se reconhece, cruzamos sentidos, trocamos os sonhos na espera de um final que não se toca, que não destrói quem participa, mas que também não edifica. Bebemos o café da conversa, procuramos a cumplicidade no que partilhamos, e sentimo-nos tão perto de sermos aquele que procuramos. E na rua molhada e no alcatrão de duas sobras de coisas, nasce a cidade cheia, mas tão vazia como dantes.
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23.2.07
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quarta-feira, janeiro 10, 2007
no começo
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sexta-feira, dezembro 29, 2006
a caixa
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quinta-feira, dezembro 21, 2006
solidão, Helena, solidão
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quarta-feira, dezembro 20, 2006
um amor anunciado (repost)
Toquei à campaínha da porta Skype, não tive as normais dores de barriga, e vi-te no espaço, dois grandes olhos azuis que se estendiam no meu céu. Tive saudades tuas, daquela voz que mexe com as minhas ar-ti-cul-ações, com as mesquitas dos meus neurónios, vazias de pouco dormir, daqueles risos que engasgam as palavras e te ateiam os pulmões, do combóio das tuas palavras, doces, divertidas, sumarentas... e procuro-te.
Procuro-te no cheiro da almofada onde dormiste, na boca que beijáste em fios de ovos, procuro a minha Ave Rara 1 e única, o meu Fred e a Felícia, como um chocolate a-ver-se passa e não passa, e espero-te.
Espero-te nas esquinas do País da Alice, vejo o Roger ao longe, alço a perna no muro, mostro a liga que nos liga, dou brilho ao meu TT antes da viagem, a viagem do dia 31, espalmo a cara na janela, oiço os pardais das minhas insónias, os cães dos vizinhos e escuto. Silêncio. O telefone toca Discos Pedidos. É ele ! O meu homem !
Estou aos pulos. Pulos cá dentro. Daqueles que remexem o pâncreas, entornam a bílis que me comem as gorduras, que dão sentido a um baço, que enrolam as tripas, e revivo ... mexo a perna direita, a esquerda, os 4 joelhos, as narinas sobem ...Respiro o ar do meu oxigénio, da minha existência maldita, e sorrio. Já está. Renasço na minha tela, cubro-me de tintas, cheiro a terebentina e à canela das rosas.
E percebo-te cansado e feliz, na casa dos teus sonhos, a percorrer os sentidos no mar que nos separa, um verdadeiro Ó si ano !!!! Ano 2005/2006 ...
Beijus nos sitius
Eu, com um nome a descobrir
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20.12.06
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terça-feira, novembro 28, 2006
parabéns, Pandora amiga
Se era o dia das rosas e dos lilazes
era o dia da pauta que acrescenta
um Fá de Faz de um Dó de ter
num renascer de sinfonias várias.
.
Se era o dia das violetas e dos jasmins,
era o partilhar da mesa farta
o trilhar do garfo em bolos de nozes,
copos cheios, muitas vozes.
.
Se era o dia das petúnias e madressilvas
eram esperanças resnascidas nas esquinas,
das encruzilhadas que dormem ao sol
mil sonhos, alguns amores, expectativas.
.
Era o abraço na chapa quente
os amigos, Pandora, que nos abraçam
ao virar de mais uma página branca,
em tempos que, de repente,
nos mostram portas, caminhos
e os rumos de toda a gente.
.
Leonor de Saint Maurice
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28.11.06
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segunda-feira, novembro 27, 2006
os meus livros
são serradura de mim, esfregão de aço, lágrimas empalhadas, résteas de côdea. Vivem dos seus devaneios materiais, das suas insígnias, das dores do alheio, da glória da serpente....
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27.11.06
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sábado, novembro 25, 2006
ecos
Ecos de ti, sob o canto dos grilos,
em campos de orvalho e de erva-doce
nas esteiras do milho onde dormimos
.
deixáste num rasto coisas não-ditas
que o tempo fará remedeio
entre a vida e um eco, de permeio
.
ecos de ti, sob as cores de Maio,
em estradas percorridas de centeio
nas bermas, e apenas, no meio
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25.11.06
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sexta-feira, novembro 24, 2006
destino ou gare
A raiva e o sal
- em dia de temporal -
que lhe esvaziava o prato,
sob a luz do coto
da vela que morria
ao suor de um pranto,
de fé se reacendia,
perdida de medo
frágil, pequena,
como os lamentos de quem pare,
sem saber destino ou gare
.
a raiva das coisas,
vazias no vidro que esconde
a cor do vinho no rosto,
- num copo que de cheio tinha
as memórias que guardava-,
de formas tomava vida
aventurada, desprevenida,
nos ombros de quem parte,
sem saber destino ou gare
.
eram dois amantes perdidos,
de tanto se quererem,
num cais de cidade.
.
Leonor de Saint Maurice
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quinta-feira, novembro 23, 2006
respostas sem resposta
Adoro sentir o calor da alma que me adormece
Adoro acordar nas tuas madrugadas
Adoro prender-te na alma e voar, voar
Adoro o perfume das nossas manhãs frias
Adoro a nossa casa e o nosso cão
Adoro o café, as migalhas na cama
Adoro um "amo-te" de peito aberto
Adoro ficar em ti
Porque te tenho na pele
Porque te tenho assim.
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quarta-feira, novembro 01, 2006
quero
Foto: Misha Gordin.
Quero saber tudo de ti
mesmo se ficar do outro lado do espelho.
Quero saber o que emanas da pele,
mesmo a uma distância curta.
Quero ler-te os olhos
mesmo que não se toquem.
Quero partilhar momentos,
um raio de sol a brincar numa taça de chá,
Quero olhar os mesmos lugares,
tocar veludo nas orquideas.
Quero olhar o mar em silêncio
e, se não me tocares a carne,
já me tocaste a alma.
E poderás sussurrar as tuas tormentas,
aproveitar um vento
que corre à altura dos ombros,
assim devagarinho ...
Maria Leonor de Saint Maurice
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uma doce ilusão, sem hora, sem hora
Meu amor,
queria dizer-te que se fôr o mar que te devolve à vida,
que as praias dos nossos sonhos se espraiem
num futuro que se quer próximo,
que a rebentação dos nossos dias
conheça marés calmas e tranquilas,
que o navegar das emoções seja a força do nosso barco,
que o timoneiro do nosso amor não morra mais.
a cada voltar de vida,
a cada explosão de loucura que nos devolva o sentir das coisas,
para cearmos ao pé da felicidade que procuramos,
essa busca incessante mas possível,
sem medos e sem receios de que o frio volte ...
no colo que acalenta o perder do passo e da mão fechada,
juntos,
porque agora é hora exacta,
é vida que renasce,
é oportunidade na frente.
Sem hora, sem hora ...
(Maria Leonor de Saint Maurice)
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domingo, outubro 01, 2006
à minha mãe
(In memorium)
Penso na velhice que te avassalou de repente, da dor que não dizias sentir, amparada à vida pelos grilhões das tuas mágoas. Penso no que navegaste sobre conchas de ar e de mar, dos nomes que escreveste nas areias das tuas praias, nos búzios que foste deitando, espreitando o futuro com os teus olhos de criança, batendo-te com bravura na tela dos teus desenhos.
Penso no amor com que embalavas o barco. Um barco de seis marinheiros. Nós e só nós. E era assim, como capitão de jangada, que guardavas os teus cinco raios de sol, no rumo dos teus caminhos.
Vi-te, sereia bela, olhar a vida de frente, arqueando a cauda ao nosso rasto, defendendo a prole das tempestades. Vi-te sorrir quando o infortúnio nos visitara por tantas vezes, inventando histórias de outras terras, de outros sonhos, de mais cores.
Vi brilhar os teus olhos de ébano no calor das manhãs de África, e senti-te o cheiro da terra. Vi a felicidade sentar-se na tua pele, até mesmo por instantes.
Vi-te bailar e dançar, entre as crianças que ensinavas, cantando as vitórias de um passado e sonhando histórias de princesas.
Contei, e perdi a conta, as pérolas de mar que te saltavam da face ao esbarrar nas falésias de ilusão. E que foram tantas …
Eras uma criança que não tinha crescido, cabeça cheia de sóis e de ventos …
Venho dizer-te, mãe, que aquilo que me deste foi muito mais que este oceano imenso.
E, que existem tantos mares, tantos oceanos, mas não há sereias como tu.
Deixa-me dar-te o alento que precisas, deixa-me aquecer-te as mãos que se deitam no teu colo, esperando, resignadas.
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sábado, setembro 30, 2006
o desamor

Sob o sufoco das suas mãos, amarrada à vida apenas por uma fé qualquer, bradou aos céus, sem voz que lhe restasse, e pediu socorro à vida. Quedou apenas o olhar, talvez pela última vez, no tecto daquele quarto que tantas vezes lhes tinha guardado os segredos, os prazeres, e os sonhos. Sentiu o seu olhar duro, empedernido e frio, orvalhado pela raiva de não a ter.
E num esforço maior que a própria vida, deitou-se por terra, agarrada ao chão onde ele nunca viria.
Era no chão que ele a queria, era então no chão que ela ficava, molhada de dor, seca de amor.
Gritou, chorou, gritou, sem querer levantar-se, guiada por um medo cego, naquela mágoa que lhe rebentava o peito.
Apercebeu-se, então, que embora já não amasse a vida, queria decididamente viver. Nem que para isso significasse sangrar as feridas para subir no ar numa bola de sabão, irisada de azul, leve, diáfana, etérea, serena. Procurava na paz, o refúgio das almas sábias.
Resgatou a solidão para renascer dessa luta desleal que cansa as costas, e que nos envelhece por dentro ao compasso de um tango, ao ritmo do tempo.
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