


"O ser que sai da sua concha sugere-nos sonhos do ser misto. Não é só o ser meia carne e meio peixe. É o ser semi-morto e semi-vivo e, nos grande excessos, meio-homem e meio-pedra"
"Surgem por todos os lados animalidades parciais. Os fósseis são, para Robinet, troços de vida, esboços de orgãos que encontraram a sua vida coerente no cume de uma evolução que prepara o homem (…) As conchas, como os fósseis, são outros tantos ensaios da natureza para preparar as formas das diferentes partes do corpo humano; são troços de homem, troços de mulher".
"O ser que tem uma forma domina os milénios. Toda a forma conserva uma vida. O fóssil não é, pois, simplemente um ser que já tenha vivido, é um ser que vive ainda dormindo na sua forma".
No sonho de Bachelard, provocado pela contemplação de conchas e fósseis, os ornamentos do nautilus sugerem as vísceras e os membros de um homem, e uma transparencia inesperada revela o humano nas erosões do nacre ou o exo-esqueleto dos moluscos.
Gregory Bateson imaginou um sistema de correspondências ainda mais amplo:
“Invadiu-me o pressentimento vago e místico de que devemos ir à procura dos mismos processos em todos os campos dos fenómenos naturais – que não deve assombrar-nos encontrar as mismas leis funcionando na estrutura de um cristal e na estrutura da sociedad, o que a segmentação de uma lagarta possa comparar-se ao processo que formam os pilares de basalto”
Nos textos de Bachelard e Bateson descobrimos uma mesma suspeita: que a historia natural ainda está por escrever.














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