
10 REGRAS PARA CRIAR FILHOS.... DELINQUENTES
1ª Comecem cedo a dar ao vosso filho tudo o que ele quer. Assim ele convencer-se-á, quando crescer, de que o mundo tem obrigação de satisfazer todos os seus caprichos.
2ª Se, enquanto pequeno, o vosso filho utilizar expressões grosseiras, achem-lhe graça. Isso fará com que ele se convença de que é espirituoso e levá-lo-á a refinar a sua linguagem ordinária.
3ª Não lhe dêem educação religiosa nem lhe inculquem princípios morais. Esperem pela sua maioridade para que, feitos os 18 anos, seja ele a fazer pessoalmente a sua escolha.
4ª Evitem recriminá-lo, para que ele não crie um complexo de culpa. Estes complexos, como toda a gente sabe, não deixam que as crianças desenvolvam a sua personalidade.
5ª Façam sempre tudo aquilo que devia ser o vosso filho a fazer. Arrumem as suas coisas e apanhem o que ele deitar para o chão. Desta maneira se habituará a empurrar para os outros as suas responsabilidades.


Artigo na Visão online - Criancinhas
A DEVIDA COMÉDIA
A criancinha quer Playstation. A gente dá.
A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa.
A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em festim de chocolate.
A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às litradas. A gente olha para o lado e ela incha.
A criancinha quer camisola adidas e ténis Nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito como os colegas da escola e é perigoso ser diferente.
A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe o comando.
A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua.
Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se Projecto de homem ou mulher.
Desperta. É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária. E gasta metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares.A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.
A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira.
A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa. Responde torto aos papás, põe a avó em sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são «uma seca».Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo. A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal. Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora. Os papás, arrepiados com a violência sobre as criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho sou eu».
A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles. Provavelmente, não terá um emprego. «Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias».
.Obrigada, David.













11 comentários:
Isto é o que todos dizemos que não fazemos (pelo menos a receita todinha)... mas os meus são uns doces!
Estava tudo tão bem, um texto tão certo quando o último parágrafo vem estragar tudo. Dizer que é um fiel retrato dos bairros sociais, das escolas problemáticas e das famílias no fio da navalha é não só preconceito como também uma visão distorcida da sociedade. Eu acho que é etnocentrismo de classe média, ou melhor, média alta.
Se não vejam bem os bens e serviços com que os meninos são mimados. Será que os remediados e/ou pobres tem esses luxos? Esses devaneios da modernidade?
Queres um concelho “David”? É melhor deixar a visão de “profissional liberal” e começar a trabalhar por conta de outrem, vais ver que te passa rapidamente essas visões liberais e unidireccionais.
David,
Tenho que concordar em absoluto com o Mano. Ainda pensei em retirar esse parágrafo por não concordar com ele, mas achei que tinha que o publicar na íntegra sob pena de me sentir "pidesca". Realmente, vejo mal como uma família pobre ou de um bairro social possa comprar play stations e subvir a esses caprichos todos de meninos mal educados. É realmente verdade que a crítica dirige-se a uma classe média/alta. Contudo, não deixas de ter razão quanto ao restante do artigo. Subscrevo inteiramente que as crianças deste País estão mal educadas. E aind afalta falar nos pais divorciados e na forma de exorcisarem os seus remorsos em relação às suas ausências na tal família nuclear que tb deixou de existir.
Mano,
Escusavas de ser tão critico. Penso que o artigo não é da autoria do David. Ele limitou-se a enviar-mo. Eu tenho tanta culpa quanto ele. Eu quis respeitasr a opinião do autor e não cortei. Ele deverá ter feito o mesmo. Para mim, não é importante, que seja ou não da tua autoria. Eu debato ideias. Não pessoas.
Carlos,
O problema é que todos os pais de que fala o texto, dizem precisamente a mesma coisa. :-)))
Mai nada!
:-(
Pois é... os textos são mesmo assim. Tens razão o texto não é da minha autoria mas de um (na minha opinião) "pretenso" jornalista da visão de que me abstive de inserir o nome porque tal como vós achei o que o parágrafo final "borrava" uma pintura que apesar de muito ao de leve tinha alguns "tons" interessantes...o final é um daqueles gritos pequeno-burgueses que o autor deve ter herdado dos progenitores porque ainda não tem idade para isso. Mas "prontos" fala assim, "tá a ver" e vê muita tvi e prontos...
De qualquer modo se quiserem ver o original é só consultar o sitio da visão online.
Quanto ao concelho do Mano, que julgo queria ser conselho, por acaso até sou PL mas já fui TPCO e em nada esse factor alterou a minha visão do mundo...aliás penso sempre que o mundo se altera muito mais rapidamente que a nossa visão dele...(Xi, esta foi profunda...)
Desfeito o engano. Façam as pazes, amigos meus. beijo aos dois.
Tudo muito lindo, mas moralista demais. A minha é uma ótima menina e basta um pouco de bom senso para que as coisas saiam certo.
Quanto à educação religiosa...esta não faz bem a ninguém, muito menos a uma criança.
Não vejo onde esteja a moralidade no artigo. Vejo uma crítica cínica à maioria dos pais de hoje, permissivos e desculpabilizadores que acabam por ceder aos caprichos das suas criancinhas, quando a vida não é tão cedente aos nossos caprichos. E é precisamente do bom senso que o artigo fala de forma subliminar.
A educação religiosa (não confundir com a católica) é importante porque nos dá valores. Cabe-nos a nós, com a inteligência que Deus nos deu, separar o trigo do joio. Não é perfeita porque é feita por humanos - e estes não são perfeitos, mas que é a base dos valores que nos ensinam a viverem sociedade, é.
Esta é apenas a minha opinião. Gostaria de ouvir mais da sua.
When "the munro" was around 4 or 5 years old, my Grandmother felt it was time to make a start on his and his younger brother’s education in foreign languages. This was done at the dinner table, on which there happened to be a pair of small ceramic frogs (one pink and one pale blue, God knows why). Naturally, there were also forks. And frogs and forks, Grandmother decided, were as good a place as any to start an education.
That was without counting with my muddled brain (even then). At some point, exasperated at our continuing failure to correctly name each of the two, she picked one of the ceramic frogs from the table and gently knock-knock-knocked me on the head with it, all the while repeating “frog, frog, frog!”
The frogs – like some later-day version of Pentecostal “tongues of fire” – did their job, and neither my brother nor I have ever since confused our frogs with our forks, confusable though they are.
And that – endless repetition, knocking them over the head (gently!) and divine inspiration – is how you teach children new languages. And pretty much anything else.
"The Munro"
Enviar um comentário